Primeiramente eu nunca fui vítima de preconceitos (pelo menos de forma declarada) por ter optado por uma FIV. Mesmo porque, amigos e familiares não fazem ideia de que estou em tratamento (eles sequer sabem que estou tentando engravidar). As únicas pessoas que sabem do meu tratamento são vocês que acompanham a minha história de infertilidade através da leitura do meu blog e as colegas de trabalho, porque como expliquei em uma outra publicação, me vi obrigada a contar sobre o tratamento devido as minhas constantes ausências no trabalho. Todos lá da escola (local de trabalho) já estavam começando a desconfiar que eu estava com um problema muito sério de saúde.
O motivo de abordar pela segunda vez essa mesma temática (preconceitos em relação a FIV) é que alguns conhecidos em conversa informal comigo, talvez por desconhecerem que eu estou em processo de FIV, externaram opiniões contrárias a esse tipo de procedimento sustentando o seu posicionamento em argumentos muito frágeis e que revelam um total desconhecimento sobre a questão em foco.
Uma colega, que inclusive tem problemas de fertilidade, afirmou ser contrária a qualquer tipo de procedimento em Reprodução Assistida porque na sua visão eles são contrários aos ensinamentos bíblicos. Segundo ela, somente Deus tem o poder de dar vida a outras vidas e é um absurdo que os homens estejam querendo deter esse poder em suas mãos. Já uma outra colega argumentou que se tivesse problemas de fertilidade jamais faria uma FIV porque acha que é uma perda de tempo e de dinheiro. Segundo ela Deus faz engravidar quem ele quer na hora que ele quer e não precisa de ajudinha nenhuma para isso.
Pelo que vocês podem perceber tanto uma visão como a outra estão carregadas de preconceitos em relação a um procedimento que elas tem pouco conhecimento sobre ele. Não acho que a FIV é uma opção válida para todos os casais que enfrentam problemas de fertilidade e entendo que alguns casais, mesmo que tenha ela como única opção viável de tratamento, não optem por ela, pois certamente existem outros motivos que levem um casal a descartá-la. Contudo, acho muito importante que a escolha desses casais não estejam fundamentadas nesses mesmos argumentos. E que os casais que optarem por uma FIV não sejam julgados com base nesses argumentos.
Em relação ao que se fazer posteriormente com os embriões excedentes desse tratamento que foram congelados, essa é uma questão estritamente pessoal (existem algumas opções que serão esclarecidas pelo médico que fará a FIV). Mesmo porque, se o casal quiser não precisa ter embriões excedentes. Ele tanto pode optar por congelar os óvulos da mulher e ir fertilizando eles aos poucos (nesse caso o investimento financeiro é maior) como pode estimular um número reduzido de óvulos para serem utilizados de uma única vez (não dando certo a mulher passará por todo o processo novamente e o casal terá que desembolsar a mesma quantia de dinheiro investida se desejar tentar novamente).E mesmo no caso do casal optar por correr o risco de ter muitos embriões excedentes pode (assim como eu e meu esposo) se dispor a transferir todos embriões congelados em ciclos posteriores e se arriscar a ter uma família bem grande.
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