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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A aspiração...

A terça feira foi sem dúvida o dia mais difícil que já vivi... o dia como eu já imaginava amanheceu extremamente nublado para mim e meu esposo.

Acordamos bem cedo para nos dirigirmos a um centro obstétrico, mas infelizmente, como todos vocês já sabem, não foi para recebermos em nossos braços um filho com vida e sim para sair de lá com fragmentos do nosso bebezinho em dois frascos distintos para ser enviado a dois centros de pesquisas diferentes.

Como se não nos bastasse a dor de ter perdido um filho ainda tivemos que enfrentar uma enorme burocracia no hospital para a liberação do procedimento. Como a médica que faria o nosso procedimento não era conveniada ao nosso plano de saúde e o seu protocolo de solicitação não era nos moldes que o plano exige, foram criados todos os impedimentos que se possam imaginar antes de finalmente vir a liberação. 

Tive que inclusive realizar no próprio hospital mais uma ultrassom que confirmasse o óbito fetal do meu bebê, dado o fato que não fui orientada a levar a ultrassom que atestava isso e dada a morosidade do atendimento não teria como o meu esposo ir buscá-la em casa e trazê-la a tempo de poder fazer o procedimento que estava agendado para as 13:00 h.

O resultado de tudo isso é que tive que ser encaminhada da emergência mesmo do hospital até o centro cirúrgico às 15:30 e mesmo depois do procedimento realizado ter que ficar aguardando em cima de um maca no corredor do centro cirúrgico por quase uma hora até ser conduzida ao apartamento individual a qual eu tinha direito.

Cheguei no apartamento 30 minutos antes da alta agendada pela médica e mesmo estando de jejum desde às 20:00 do dia anterior eles me serviram apenas um copo de água de coco, um pão com requeijão e quatro biscoitinhos de leite e nenhum enfermeiro sequer entrou para aferi a minha pressão e medi a minha temperatura como é de costume depois de qualquer procedimento realizado sobe sedação em centro cirúrgico.

Mas, a dor que eu estava sentindo era tão grande que todo esse descaso passou completamente despercebido. Eu só queria sair dali o mais rápido que pudesse e encerrar de vez esse capítulo da minha vida. 

O procedimento em si foi bem rápido e tranquilo. A pior parte foi ouvir um pouco antes de entrar no centro cirúrgico uma das enfermeiras dizendo ao meu marido as seguintes palavras "aguarde aí PAI" vamos primeiro preparar a sua esposa" e logo depois de voltar de lá ouvir bebezinhos chorando e vê que aos meus pés tinham apenas dois frascos com fragmentos do bebezinho que gestei por um espaço tão curto de tempo...

Mas, mesmo sem compreender aceito o que aconteceu, pois sei que nada acontece ao acaso. Deus permitiu que eu passasse por isso por algum motivo que desconheço. Eu sei que meu bebê cumpriu a sua missão. Ele me deu um novo fôlego de esperança de que sim, eu posso ser mãe e me trouxe imensas alegrias no pouco tempo em que esteve dentro de mim! 

A Deus eu peço que ele traga alívio a minha dor e que de agora em diante só me restem saudades e lindas e doces recordações dessa minha gravidez... 

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